11/07/2016

Para um amor do passado



Querido amor do passado, 
A tempos queria te escrever, mas nunca tive coragem. Muito tempo se passou e eu continuo aqui parada nessa história como se você ainda vivesse em mim. Hoje pela noite eu resolvi não mais resistir e me pus a te escrever. Quando você ler essa carta, eu já estarei bem longe daqui. Não vou pedir pra você voltar, porque "te perdendo eu cresci tanto..." já dizia a nossa música. Essa carta é meu ultimo passo para a liberdade, então que ela não te machuque. E lembre-se, queime a depois de ler. 
Quando eu era mais nova as pessoas costumavam dizer que "quem muito brinca com o coração dos outros um dia será o brinquedo" e eu não dava a mínima pra isso. Não que eu fosse a maior heartbreaker da cidade de São Paulo - na verdade nem na lista de heartbreakers eu entrava - mas digamos que eu já tenha passado dos limites da vergonha na cara quando o assunto é o sentimento alheio. Magoei mas magoei de verdade quando na realidade eu deveria ter feito de outra forma, parado de ser uma criança de 5 anos assustada e ter conversado como uma pessoa civilizada sobre os meus sentimentos. Mas pra eu estar escrevendo essa carta, significa que eu fiz completamente o contrário não é? É, eu fiz o contrário. Fiz ao contrário e agora senti na pele.
A verdade que arrependimento não é o tipo de coisa que eu deveria alimentar. Deveria seguir em frente, me perdoar e perdoar você, mas é aquele ditado. Não sou boa em perdão, sou rancorosa até comigo mesma. Isso é meio doentio e errado, mas é quem eu sou na minha verdadeira essência. Não dizem por ai que temos que amar até nossas partes ruins? Então, ando praticando isso. Mas o grande fato é que hoje parando pra pensar - depois de anos do acontecido - eu confesso que me senti culpada. Não só culpada por ter feito você se sentir como eu me senti - eu sei que fiz isso em proporções maiores, mas é porque eu sou exagerada, aceita que dói menos - mas sim, porque depois de você eu tornei minha vida amorosa um grande campo de amores cruzados onde eu amo fulano que não me ama e odeio fulano que me ama.
Talvez o meu maior problema naquela época era medo de ser vista como vulnerável. Tinha uma mania bem estranha de agir como se eu fosse feita de ferro quando na realidade eu era frágil demais e qualquer ventinho era capaz de me curvar. Me sinto culpada por não me permitir ser vulnerável, por não me permitir sentir e por não dizer tudo aquilo que eu queria ter dito. Me sinto culpada por não ter te dito que lá no fundo, por baixo da minha armadura, eu gostava e muito de você; Me sinto culpada por ter me culpado por isso durante todo esse tempo e ter deixado as lembranças bagunçarem as coisas por aqui.
Não quero mais me sentir assim, culpada por todas os coisas que não deram certo entre a gente. Pedir desculpas não vai adiantar, ter uma ultima chance com você não vai adiantar! Depois de tanto tempo minha única chance é seguir em frente e aos poucos ir juntando todos os caquinhos que deixei pelo caminho. Foi por isso que eu decidi te escrever! Pra dizer que eu nunca quis te magoar de verdade e pra enfim me perdoar pela bagunça que eu causei em mim mesma depois que você se foi. Você foi incrível como pode, fomos incríveis como pudemos um com o outro, mas nosso tempo passou. Espero que esteja feliz e tenha tudo que você sempre sonhou. Espero que eu seja feliz e tenha tudo que eu sempre sonhei.
Com carinho, um amor do passado. 

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